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terça-feira, 30 de março de 2010


Retrospectiva 20 anos

No ano que vem, os Parlapatões completarão 20 anos. Para comemorar o feito, já começamos a bolar uma série de atividades especiais. Como preparação para a festa, vamos lembrar um pouco da trajetória do grupo com pílulas retrospectivas.

Nesta primeira dose, voltaremos à 1997, quanto o palhaço Piolim comemoraria cem anos. Em sua homenagem, montamos o espetáculo Piolim. A peça foi a atração principal de um evento maior, o projeto Vamos Comer o Piolim, que reunia o repertório do grupo. Pelo evento, os Parlapatões foram Indicados ao Prêmio Shell, na categoria especial; ao Prêmio Mambembe, entre grupos e produções que se destacaram naquele ano; e ganharam o Grande Prêmio da Crítica - APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte).


Programa do espetáculo Piolim com arte criada por Ricardo Picchiarini.


Cartaz do evento Vamos Comer o Piolim, com ilustração do Caco Galhardo.


Para lembrar tudo isso, postamos a matéria que o programa Vitrine realizou naquele ano. Direto do túnel do tempo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010



A história do ônibus

Os Parlapatões já são maiores de idade, em 2009 o grupo completou 18 anos. Uma parte da trajetória da companhia está relatada no livro Riso em Cena, do jornalista Valmir Santos. Lançado em 2001, no livro estão fotos e histórias dos primeiros dez anos parlapatônicos.

De todas as histórias contadas no livro, a mais comentada é sobre o ônibus. Para quem não leu, postamos o fato como foi contado pelo Valmir.

“De volta ao início dos anos 90, os palhaços decidem cair na estrada, rodar o país. Pelo menos assim desejam. Certo dia, Arthur Leopoldo e Silva chega com a boa notícia de que um conhecido seu está vendendo um ônibus.

Imediatamente, colocam à venda carro, moto; arriscam suas próprias economias em nome do palco sobre rodas, um palco-mambembe. E conseguem quitar 50% da dívida do ônibus, equivalente na época a cerca de 12 mil dólares.

Para saudar o restante, em notas promissórias, recorrem ao velho truque de oferecer um espetáculo para os amigos e superestimar o valor do ingresso em nome de uma causa que se acredita justa, no caso, o palco ambulante dos Parlapatões. Batem à porta do teatro Bixiga, atual Ágora, no bairro da Bela Vista, pedem-no emprestado ao locatário da vez, o ator Marco Ricca, que o concede por duas noites. A inscrição nos panfletos que distribuem traz algo mais ou menos assim:

‘Pague Cr$ 2.000 ou mais por algo que não cobraríamos nem Cr$ 500. Espetáculo beneficente em benefício próprio’

O ônibus pintado de azul, cuja marca nenhum dos palhaços se recorda, é fabricado em 1965 e tem o vidro do pára-brisa arredondado, item que reforça a condição de relíquia pelos quilômetros rodados.

Alvo da mobilização, o veículo é devidamente estacionado em frente ao teatro e transformado, ele também, em extensão cenográfica do que acontecerá lá dentro. Com boa parte dos assentos arrancados, o ônibus vira galeria para a exposição de fotos Passando a Limpo, ironia materializada em imagens que o grupo colhe de si naqueles poucos meses de existência.

Nas duas noites, amigos comparecem em peso e assistem a Nada de Novo, com os subtítulos de O Que Passou, Passou e Zibaldone, um espetáculo relâmpago de improvisos. Este segundo remete ao nome do caderno de apontamento dos comediantes na Commedia dell´arte, uma espécie de roteiro.

Completada a arrecadação do dinheiro, graças ao evento, Hugo [Possolo] recebe uma ligação de Jairo Mattos. O parceiro do Picadeiro [Circo Escola] sabe da campanha pró-ônibus e diz que já tem no bolso o dinheiro para pagar as promissórias. (....)

E que fim levou o palco-mambembe dos Parlapatões? Eis uma boa candidata à anedota. Ônibus quitado, os proprietários tinham de investir em reforma. Concentrados nos afazeres artísticos e pedagógicos, decidem emprestar o veículo a um serralheiro, aluno deles na Escola Livre de Teatro de Santo André. O acordo era que o sujeito usasse o ônibus e, ao mesmo tempo, empreendesse a reforma necessária. O tempo passou, o sonho do circo sob quatro rodas arrefeceu. Só depois os palhaços tomaram conhecimento de que a primeira grande aquisição patrimonial do grupo jazia há meses no pátio da Prefeitura de Santo André. O serralheiro raramente rodava com o ônibus, deixava-o na rua. A fiscalização guinchou o veículo. O serralheiro não quis dar a malograda notícia aos palhaços, pensou que poderia pagar a multa em breve e devolver o ônibus. Pois nunca fez nem uma coisa, nem outra.

E os Parlapatões até hoje riem entre si por terem perdido um ônibus.”

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Baú
Como o perfil publicado na lateral do Parlapablog é bem resumido, resolvemos inserir aqui um pouco mais de nossa história. Ótimo, pois, de tempos em tempos, podemos atualizar as informações. Essa sessão também, em breve, passará a publicar histórias, fatos e curiosidades de nossa trajetória.


Perfil dos Parlapatões

Somos um grupo teatral que surgiu em 1991. Nossa pesquisa é pautada no humor, na comédia, utilizando técnicas circenses e de teatro de rua. Nesses dezoito anos, já produzimos 37 espetáculos, além de realizar uma série de apresentações em eventos; realização de cursos, oficinas, workshops, palestras; organizando festivais, mostras e encontros de teatro e circo.

No Brasil, participamos dos principais festivais de teatro e circo, por várias vezes: FIAC - Festival Internacional de Teatro, em São Paulo; Festival de Teatro de Curitiba; FILO - Festival Internacional de Teatro de Londrina; Festival Internacional de Teatro e Festival Mundial de Circo, em Belo Horizonte; Festival Internacional de São José do Rio Preto e Porto Alegre em Cena.

Fora do Brasil, nos apresentamos no Festival de Edimburgo, na Escócia; Festival de Almada, em Portugal e nos Festivais de Almagro e Cádiz, na Espanha.

Nossos sucessos mais antigos são: Nada de Novo, de 1991 e até hoje em nosso repertório; PPP@WllmShkspr.br, com mais de 450 apresentações; Sardanapalo, que já teve duas montagens, fez várias turnês e longas temporadas, em São Paulo e no Rio de Janeiro; Zèrói, Prêmio Estímulo, 94; U Fabuliô, também em repertório, foi representante oficial do Brasil na Expo 98, em Lisboa; Não Escrevi Isto, Prêmio Shell (cenografia) e Prêmio Estímulo 98 e Pantagruel, Prêmio Estímulo em 2001.

Nossas montagens mais recentes são As Nuvens e/ou um Deu$ Chamado Dinheiro, que estreou em 2003 no FTC (Curitiba); o infantil O Bricabraque, solo do ator Raul Barreto estreado em 2004; e Prego na Testa, texto de Eric Bogosian adaptado e dirigido por Aimar Labaki com o ator Hugo Possolo. Este espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell 2005 na categoria de melhor ator.

No dia 11 de setembro de 2006, inauguramos o Espaço Parlapatões, localizado na Praça Franklin Roosevelt, na Consolação, região central de São Paulo. O espaço conta com uma sala de espetáculos com 98 lugares, além de um Café, que também abriga um pequeno palco. O lugar, como toda a praça e seus diversos teatros, tornou-se um ponto de encontro de artistas de teatro, de cinema, história em quadrinhos, dança etc.

No Espaço Parlapatões, em 2007, estreamos o espetáculo infantil Parlapatões Clássicos do Circo, com texto e direção de Hugo Possolo e também O Pior de São Paulo, criação do bufão italiano Leo Bassi, com roteiros de Hugo Possolo e Mário Viana, um passeio turístico que passa por vários pontos da cidade com uma visão humorada e crítica.

Foi em 2008 que criamos e ensaiamos um o espetáculo totalmente concebido no novo Espaço: A Vaca de Nariz Sutil, adaptação de Hugo Possolo da obra do romancista Campos de Carvalho.
No Espaço Parlapatões também realizamos e sediamos, desde sua abertura, uma série de eventos, alguns com várias edições, como: Festival de Cenas Cômicas; Mostra de Solos; o encontro de palhaços Palhaçada Geral; Festival de Peças de UM MINUTO; Festival de Poesia Falada; o encontro nacional de Teatro Cabeça, Tronco e Membros e o ciclo de dramaturgia O Avesso da Comédia/A Comédia do Avesso, que resultou em livro com o mesmo nome.

Em 2001 lançamos em parceria com o Sesc São Paulo, o livro Riso em Cena, do jornalista Valmir Santos, que conta nossos primeiros dez anos de trajetória.

O circo é muito presente em nossa trajetória. Em 98, gravamos o CD Circo dos Parlapatões, indicado ao Prêmio Sharp de melhor CD para crianças. Neste mesmo ano recebemos o Grande Prêmio da Crítica APCA, pelo evento Vamos Comer O Piolim.

Em parceria com a Pia Fraus, conquistamos nossa lona com 720 lugares, o Circo Roda Brasil. Com patrocínio da CCR – Cultura nas Estradas, já realizamos dois grandes espetáculos: Stapafúrdyo, em 2006 e 2007; e Oceano, que estreou em 2008.

Hoje, o Espaço Parlapatões e o Circo Roda Brasil possibilitam que possamos montar e circular nossos espetáculos, aprofundar nossa pesquisa artística, dar continuidade ao nosso repertório, trocar idéias com outros grupos e, principalmente, estabelecer um contato cada vez mais direto com o público.